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Plenária das Mulheres reúne diferentes vozes em defesa da democracia e constrói carta coletiva na ADUFPI

Na última sexta-feira, 28 de agosto, o auditório da ADUFPI foi espaço de encontro, diálogo e construção coletiva durante a Plenária das Mulheres em Defesa da Democracia. A atividade, organizada pela Diretoria da ADUFPI como parte da programação do Agosto Lilás, reuniu professoras, estudantes, representantes de movimentos sociais e sindicais, mulheres com diferentes trajetórias de atuação política e social, além de mulheres que participam da disputa eleitoral de 2026.

A realização da Plenária integra o conjunto de ações desenvolvidas pela Diretoria da ADUFPI no compromisso com o enfrentamento às violências de gênero, a defesa dos direitos das mulheres, a ampliação de sua participação política e a construção de espaços de formação e organização coletiva. Para a entidade, essas questões fazem parte da própria luta sindical e da defesa de uma universidade pública, democrática, inclusiva e comprometida com a transformação das desigualdades presentes na sociedade e também no interior de nossas instituições.

A diversidade das participantes foi uma das marcas da Plenária. Mulheres de diferentes gerações, experiências, territórios e espaços de atuação compartilharam reflexões sobre democracia, participação política, desigualdades, violência de gênero, políticas públicas e os desafios para ampliar a presença das mulheres nos lugares onde as decisões são tomadas.

Mais do que um espaço de exposição de ideias, a Plenária foi organizada como um momento de escuta, diálogo e construção coletiva. As contribuições apresentadas pelas participantes antes e durante a atividade foram incorporadas ao debate e serviram de base para a elaboração da Carta das Mulheres e Mulheridades em Defesa da Democracia, um dos principais resultados do encontro.

A discussão partiu de uma pergunta central: que democracia queremos construir e quais condições são necessárias para que as mulheres possam participar plenamente dessa democracia?

Ao longo das intervenções, destacou-se que pensar a democracia exige ir além do direito ao voto. Significa discutir as condições concretas para que as mulheres possam participar da vida pública, exercer direitos, ocupar espaços de decisão e viver sem violência, assédio, discriminação, perseguição ou silenciamento.

Outro ponto importante foi o reconhecimento de que não existe uma experiência única de ser mulher. Gênero, raça, classe, território, geração, deficiência, maternidade e diferentes condições materiais de existência atravessam de maneiras distintas a vida das mulheres. Nesse sentido, a interseccionalidade esteve presente como elemento fundamental para compreender as desigualdades de acesso aos direitos, à participação e ao poder.

Mulheres nos espaços de poder e decisão

A participação e a representação política das mulheres ocuparam lugar central no debate. As participantes chamaram atenção para a necessidade de ampliar a presença feminina nos espaços de decisão, mas também de perguntar quais mulheres conseguem chegar a esses espaços e quais permanecem historicamente afastadas deles.

A discussão destacou a importância da participação de mulheres negras, periféricas, trabalhadoras, mulheres com deficiência e de outros grupos historicamente sub-representados. Também foi ressaltada a necessidade de construir condições para que as mulheres possam não apenas chegar aos espaços de poder, mas permanecer neles e exercer suas funções com autonomia, segurança e capacidade efetiva de decisão.

No caso das mulheres com deficiência, a Plenária ressaltou a necessidade de garantir acessibilidade física, comunicacional, informacional, tecnológica e atitudinal, permitindo sua participação direta nos espaços de poder e na formulação, implementação e avaliação das políticas públicas.

Enfrentamento às violências e proteção às mulheres

O enfrentamento ao feminicídio e às diferentes formas de violência contra as mulheres também esteve entre os principais temas da Plenária. O debate abordou as violências presentes nos espaços de trabalho, estudo, militância, representação política e sindical, incluindo o assédio, a perseguição e a violência política de gênero.

As discussões chamaram atenção, ainda, para a responsabilidade das organizações na proteção das mulheres que ocupam ou já ocuparam espaços de representação, direção, gestão e poder. Divergências políticas e ideológicas fazem parte da democracia, mas não podem ser utilizadas para naturalizar ou justificar violência, perseguição, intimidação, desqualificação ou silenciamento de mulheres.

Formação, organização e ação coletiva

A Plenária também reafirmou a importância da formação política e do letramento de gênero como instrumentos fundamentais para enfrentar desigualdades e transformar práticas que ainda reproduzem machismo e diferentes formas de discriminação dentro e fora das organizações.

Nesse processo, foi destacada a necessidade de envolver também os homens nos processos formativos. O enfrentamento ao machismo não pode ser entendido como responsabilidade exclusiva das mulheres, exigindo reflexão coletiva sobre relações de poder, privilégios, masculinidades e práticas de violência e discriminação.

As participantes também discutiram as condições materiais que interferem na participação política das mulheres, como trabalho, renda, maternidade, responsabilidades de cuidado, deslocamento, segurança e acessibilidade. Democratizar os espaços políticos significa, portanto, construir condições concretas para que diferentes mulheres possam efetivamente participar.

Carta será apresentada às candidaturas das eleições de 2026

Como resultado da construção coletiva realizada durante a Plenária, foi consolidada a Carta das Mulheres e Mulheridades em Defesa da Democracia. O documento será dirigido às candidatas e aos candidatos das eleições de 2026, aos partidos políticos e às futuras representações dos Poderes Executivo e Legislativo nos âmbitos estadual e federal.

A Carta apresenta reivindicações relacionadas, entre outros pontos, ao enfrentamento ao feminicídio e às violências contra as mulheres; combate à violência política de gênero; educação e letramento de gênero; enfrentamento ao machismo, ao racismo e às discriminações; ampliação da participação política das mulheres; igualdade salarial; fortalecimento da saúde pública; políticas de cuidado e proteção social; inclusão das mulheres com deficiência; orçamento para políticas destinadas às mulheres; e fortalecimento dos mecanismos de participação e controle social.

Mais do que um documento destinado às candidaturas, entretanto, a Carta também expressa compromissos das próprias mulheres, sindicatos, movimentos, universidades, coletivos e organizações que participaram desse processo. A proposta é que o encontro não se encerre na Plenária, mas contribua para fortalecer formação, organização, solidariedade, estratégia e ação política coletiva.

Agosto Lilás: uma agenda que continua

Para a Diretoria da ADUFPI, a realização da Plenária reafirma um compromisso que não se limita ao mês de agosto. O Agosto Lilás constitui um momento importante de mobilização e visibilidade, mas o enfrentamento às desigualdades e às violências de gênero precisa estar presente de maneira permanente na atuação sindical.

Nesse sentido, os debates e encaminhamentos construídos na Plenária também deverão contribuir para a organização de novas ações da ADUFPI, envolvendo processos de formação e letramento de gênero, fortalecimento das redes de solidariedade e proteção às mulheres, enfrentamento às diferentes formas de violência, ampliação da participação das mulheres nos espaços de decisão e construção de articulações com universidades, sindicatos, movimentos sociais e demais organizações.

A Diretoria reafirma, assim, seu compromisso de dar continuidade aos debates e transformar as reflexões produzidas durante o Agosto Lilás em ações permanentes, compreendendo que o sindicato também é um espaço de formação política, acolhimento, organização e construção de relações mais democráticas e igualitárias.

A Plenária das Mulheres em Defesa da Democracia mostrou a potência de reunir mulheres com diferentes trajetórias, experiências e posições políticas em torno de pautas comuns. Construir unidade não significa eliminar diferenças, mas criar condições para o diálogo, reconhecer convergências e fortalecer a capacidade coletiva de enfrentar desigualdades e ampliar a presença das mulheres nos espaços onde as decisões são tomadas.

Como sintetiza a Carta construída coletivamente durante a atividade: mulheres e mulheridades podem nascer de fontes diferentes e percorrer caminhos distintos, mas, quando suas águas se encontram, ganham força. E quando essas águas se juntam, tornam-se correnteza.

Diretoria da ADUFPI

CLIQUE AQUI PARA LER A CARTA DAS MULHERES E MULHERIDADES EM DEFESA DA DEMOCRACIA