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ADUFPI fortalece atuação sindical em encontros nacionais do ANDES-SN

A Diretoria da ADUFPI, no cumprimento de suas obrigações e no exercício representativo da categoria docente, em consonância com as atividades de nosso sindicato nacional, o ANDES, fez-se presente, durante o mês de abril, em três encontros de suma importância para a organização sindical, bem como para o calendário de lutas e estratégias a serem desenvolvidas no ano de 2026.

No início de abril, a presidenta da ADUFPI, professora Escolástica Santos, representou o sindicato na Reunião do Setor das Federais, que tem por finalidade discutir e aprovar o calendário de lutas a partir das deliberações congressuais. 

O encontro tratou dos principais desafios para as universidades e institutos federais, sobretudo no que se refere à recomposição orçamentária, às condições de trabalho e ao cumprimento integral das pautas não econômicas do acordo de greve. Outra pauta  importante, que foi amplamente discutida, diz respeito à luta da classe trabalhadora contra a escala 6×1, visto a necessidade de repensar a jornada de trabalho no Brasil, considerando uma perspectiva humanizadora que não prive o(a) trabalhador(a) do lazer, da convivência em família e do autocuidado, sem qualquer redução de salário.

Ainda em abril, dois grandes encontros de grupos de trabalho e estudos do ANDES ocorreram e contaram com representações da ADUFPI. Nos dias 24 e 25 de abril, a vice-presidenta, professora Bárbara Johas, acompanhada da secretária-geral do sindicato, professora Edivania Lima, compareceram ao encontro do Grupo de Trabalho de Política de Classe para as Questões Étnico-Raciais, Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS).

Na reunião nacional do GTPCEGDS foram debatidos os encaminhamentos construídos no Congresso Nacional do ANDES-SN que possuem relação direta com as pautas do GT. Entre os principais temas discutidos estiveram as campanhas e ações voltadas ao combate ao racismo nas instituições públicas, especialmente no que se refere à luta pela efetiva implementação das cotas nos concursos públicos. Nesse sentido, para o ano de 2026, o Sindicato Nacional, por meio do GTPCEGDS Nacional e de suas seções sindicais, definiu como eixo central de luta a reparação das vagas de cotas que não foram efetivamente implementadas nas instituições públicas de ensino superior.

Durante a reunião foram apresentados dados acerca da aplicação da legislação de cotas, bem como do arcabouço jurídico que assegura esse direito, incluindo as alterações mais recentes na legislação. Também foram debatidos os métodos adotados pelas universidades para a destinação das vagas reservadas e as problemáticas relacionadas à adoção do sorteio como mecanismo de distribuição. Embora esse procedimento não esteja necessariamente em desacordo com a legislação vigente, foi destacado que ele carrega em si problemas estruturais mais profundos, especialmente no que se refere à garantia material da política de reparação racial e à efetividade da inclusão da população negra nos espaços universitários.

Como desdobramento da referida reunião, a diretoria da ADUFPI, por meio do GTPCEGDS local, já iniciou mobilizações junto ao grupo de estudos OPARÁ para o levantamento das vagas na UFPI que não foram efetivamente implementadas no âmbito das cotas. Além disso, foram solicitadas informações à COPESE e à administração superior da universidade acerca das normas e procedimentos utilizados para a implementação da política de cotas nos concursos públicos. O objetivo dessas ações é produzir o acúmulo político e técnico necessário para a organização das ações de enfrentamento e das medidas que o sindicato poderá desenvolver dentro dessa temática.

Além das questões raciais, também foram debatidos no interior do GT os casos de violência de gênero e feminicídio, que têm crescido em todo o território nacional. Como deliberação congressual, foi apontada a necessidade de intensificar as campanhas de combate às violências e aprofundar o debate sobre o protocolo de enfrentamento às violências elaborado pelo GT nacional. A proposta é que esse protocolo seja trabalhado pelas seções sindicais junto às universidades, com o intuito de fortalecer mecanismos institucionais de prevenção, acolhimento, apuração e enfrentamento das diversas formas de violência.

No âmbito interno da ADUFPI, a diretoria tem participado do comitê de enfrentamento às violências e ao assédio, contribuindo para a definição de protocolos de denúncia e apuração dos casos em suas diferentes modalidades e sujeitos envolvidos: servidor(a)-servidor(a), servidor(a)-discente, discente-discente, servidor(a)-técnico(a), bem como situações que eventualmente envolvam trabalhadores terceirizados. A atuação da ADUFPI junto ao referido comitê possui como objetivo central provocar o debate institucional a partir das demandas docentes, compreendendo que a responsabilidade pela efetiva implementação das ações é da gestão universitária, cabendo ao movimento sindical o papel de propositor, articulador, fiscalizador e indutor dessas políticas.

Por fim, o GT também iniciou as discussões acerca das políticas internas das universidades voltadas às pessoas com deficiência (PCDs) e às famílias atípicas. Em nível nacional, as resoluções congressuais apontam para a necessidade de fortalecer a luta por políticas efetivas de inclusão e garantia de direitos para pessoas PCDs, bem como para cuidadoras e cuidadores e famílias atípicas. Entre os temas debatidos esteve a possibilidade de redução de carga horária para pessoas cuidadoras e os caminhos institucionais para a implementação dessa política.

Dando continuidade à agenda nacional de debates e articulações do ANDES-SN, nos dias 25 e 26 de abril de 2026, na sede do Sindicato Nacional, em Brasília, a diretoria da ADUFPI também participou da reunião do GTPFS. Na oportunidade, as representações das seções sindicais puderam compartilhar análises, acumular debates e construir estratégias diante das lutas que serão realizadas ao longo do ano de 2026, especialmente no que se refere às questões organizativas e financeiras do Sindicato Nacional, ao avanço das políticas neoliberais sobre a educação pública e aos desafios colocados para o movimento docente no contexto brasileiro e latino-americano.

No âmbito dos debates relacionados à formação sindical, o tema central da reunião nacional foram as TRs vinculadas às questões organizativas e financeiras do ANDES-SN, bem como o plano de lutas relacionado à política educacional brasileira, sua crescente captura pela lógica neoliberal e o avanço do projeto imperialista, especialmente na América Latina. As discussões partiram da compreensão de que os ataques à educação pública, à autonomia universitária e aos direitos sociais estão inseridos em um processo mais amplo de reorganização do capitalismo contemporâneo e de aprofundamento das dinâmicas neoliberais e neocoloniais na região.

No que tange à política nacional de educação, foi debatida a necessidade de continuar fortalecendo as articulações com o Congresso Internacional sobre Neoliberalismo na Educação, com o objetivo de acumular análises e elementos comparativos sobre como o neoliberalismo tem impactado os diferentes países da América Latina. O entendimento construído no interior do GT é que a ofensiva neoliberal sobre a educação está diretamente vinculada a um projeto neocolonial e imperialista, cujo protagonismo central é exercido pelos Estados Unidos, sobretudo no atual contexto de intensificação das disputas geopolíticas internacionais e da ampliação das estratégias de controle político e econômico sobre os países latino-americanos.

Também foram debatidas as moções de apoio e solidariedade aprovadas durante o Congresso do ANDES-SN em relação a diversos países da América Latina que têm sido alvo das ações do governo de Donald Trump e da ofensiva imperialista e neocolonial na região. As discussões reforçaram a compreensão da necessidade de fortalecer os laços de solidariedade internacional entre os povos latino-americanos, especialmente diante do avanço de projetos autoritários, ultraliberais e de retirada de direitos sociais e trabalhistas.

No que se refere às questões organizativas, foram debatidos o formato e as informações que deverão compor o II Seminário de Questões Organizativas e Financeiras do ANDES-SN, espaço que deverá tratar das TRs vinculadas ao Tema 4 que não foram apreciadas e deliberadas durante o Congresso Nacional e que foram remetidas ao CONAD Extraordinário. Trata-se de um conjunto de debates estratégicos para o funcionamento do Sindicato Nacional, especialmente no que diz respeito ao chamado “método ANDES”, às formas de organização sindical, aos mecanismos de financiamento do sindicato, às contribuições das seções sindicais, ao formato dos congressos e às dinâmicas de participação política da categoria docente.

Esses debates possuem grande relevância política e organizativa, uma vez que tratam diretamente da estrutura de funcionamento do Sindicato Nacional e das formas de fortalecimento da organização docente diante dos desafios contemporâneos impostos à educação pública e ao movimento sindical brasileiro. As discussões terão continuidade no II Seminário de Questões Organizativas e Financeiras, previsto para ocorrer ainda neste mês de maio, consolidando um espaço de aprofundamento político e construção coletiva sobre os rumos organizativos do ANDES-SN.

No âmbito local, a diretoria da ADUFPI tem empreendido ações voltadas ao fortalecimento da formação sindical da categoria docente, com destaque para a realização dos Seminários de Formação Sindical, iniciativa que já se consolidou como importante espaço de debate, reflexão política e acúmulo coletivo. Atualmente, a diretoria já se encontra organizando a terceira edição do referido seminário, buscando ampliar ainda mais a participação dos(as) docentes e aprofundar os debates sobre os desafios contemporâneos enfrentados pela universidade pública e pelo movimento sindical.

Além disso, a ADUFPI vem articulando novos momentos formativos voltados à discussão dos modelos educacionais que têm sido implementados nacionalmente, bem como ao debate acerca do uso das tecnologias no processo educacional e seus impactos sobre o trabalho docente, a produção do conhecimento e a própria concepção de educação pública. Essas atividades serão construídas em articulação com o GTPE, fortalecendo a integração entre os debates de política educacional e os processos de formação sindical da categoria.

A diretoria da ADUFPI, por meio de sua presidência e de sua diretoria sindical, também participa e acompanha os debates sobre educação em âmbito local no interior do Fórum Estadual de Educação, espaço considerado estratégico para a incidência política e para a construção coletiva das lutas em defesa da educação pública e dos direitos da categoria docente. A participação da entidade nesse fórum reforça o compromisso da seção sindical com a articulação entre movimento sindical, políticas educacionais e participação social.

A participação da diretoria da ADUFPI nos encontros, reuniões e espaços deliberativos do ANDES-SN reafirma o compromisso da seção sindical com a construção coletiva das lutas da categoria docente em âmbito nacional e local. Esses espaços são fundamentais não apenas para o alinhamento político e organizativo das ações da ADUFPI com as deliberações do Sindicato Nacional, mas também para o acúmulo de análises, estratégias e experiências que fortalecem a atuação da seção sindical no contexto local. É a partir dessa articulação permanente entre o nacional e o local que seguimos fortalecendo a defesa da universidade pública, dos direitos da categoria docente e de um projeto de educação comprometido com a justiça social, a democracia e a transformação da realidade brasileira.