Diretor do ANDES SN fala na ADUFPI sobre precarização do Trabalho Docente

Maio 26, 2009, 4:35 p.m.

     Diretor do Andes diz que o quadro de professor das Universidades Federais está com um percentual muito alto de substitutos, prejudicando o ensino de graduação. A diretoria da ADUFPI (Associação dos Docentes da Universidade Federal do Piauí) começou hoje (11/05) uma série de debates e mobilizações como forma de envolvimento da categoria para as questões que envolvem o trabalho do docente.

     O governo federal ainda não fez o repasse dos reajustes dos salários, como acordado no ano passado, e os docentes continuam sem aumento, dependendo de projeto de lei (6368/05), que se encontra parado esperando votação no Congresso Nacional.

     O primeiro de uma série de debates trouxe como convidado o tesoureiro do ANDES SN(Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior), o professor doutor em História da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Antônio de Pádua Bosi, hoje(11/05/06) à tarde, no auditório da ADUFPI.

     Com o tema “Precarização do trabalho docente”, Bosi informou que os professores vêm sofrendo com o desmonte de seu trabalho. Dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão do Ministério da Educação (MEC), mostram que em 1980 havia no Brasil 109 mil professores efetivos contratados com dedicação exclusiva em universidades públicas e particulares.

     Em 2004, esse número aumentou para cerca de 279 mil, sendo que o crescimento se deu em primeiro lugar nas particulares, que passaram a somar 185 mil docentes e apenas 93.800 foram contratados nas públicas. “Enquanto houve um aumento de 200 por cento de contratados nas particulares, nas universidades públicas foi de apenas 53% de contratação”, informou Bosi.

     O sindicalista citou que dentro do percentual de 53% de aumento de professores contratados nas universidades públicas, nos últimos 24 anos, a maioria se deu nas estaduais, sendo que o crescimento nas federais foi de apenas 19%, com a contratação de apenas 8 mil professores efetivos.

     “Esses oito mil professores contratados em 24 anos comprova que houve uma grande precarização e desvalorização do ensino superior público. Por outro lado, as particulares contratam professores sem regulamentação e sem plano de carreira, criando diversas categorias, como o professor substituto, colaborador, provisório e o conferencista, este contratado de 90 em 90 dias. Esse professor ao invés de melhorar a educação superior, contribui para prejudicar.

     Ele não estabelece envolvimento com o aluno e nem com a sua instituição e transmite uma formação frágil, criticou. Segundo o debatedor, são muitos os problemas que mudaram a rotina e contribuíram para inferiorizar o trabalho docente nas universidades.Outro dado da pesquisa do INEP revela que em 1980 o professor tinha 8 horas/aula na graduação. Hoje, o docente tem em média 12 horas/aula.

     “A relação professor e aluno também foi prejudicada. Em 1980, havia seis alunos para um professor. Em 2004, eram 12 alunos para cada professor, demonstrando uma sobrecarga que prejudica ambas as partes”, argumentou. Bosi também criticou como a extensão vem sendo mercantilizada nas universidades públicas, para ele, a mesma tem servido de sustentação das universidades com recursos, o que antes não acontecia, pois o governo investia mais em tecnologia, laboratórios, etc.

     “Precisamos criar possibilidades de resistência a esse processo de deteriorização da mão-de-obra docente e não aceitar que todas essas rotinas se tornem comuns e aceitáveis”, alarmou.

Texto Márcia Cristina – Ass. Comunicação da ADUFPI.

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