A Justiça cognitiva da Universidade e a luta por justiça social

Nov. 14, 2018, 12:32 p.m.

A crise política brasileira é resultado do processo de globalização capitalista, enquanto processo de mundialização das economias nacionais, que instrumentaliza as “falsas crises” econômicas como campo fecundo para crises políticas. Diante dessa ofensiva, o capitalismo disputa o Estado como campo de consolidação de sua expansão colonial, não apenas territorial, mas também epistêmica. Ou seja, destitui o Estado Democrático de qualquer perspectiva de Estado Social.

 

A universidade tem sido um território epistemológico dessa disputa, ou seja, predomina a produção científica para o capital. Essa vulnerabilidade social da universidade perante as “crises financeiras” do capitalismo ocorre porque o conhecimento tem sido matéria-prima básica para o capital, como analisa Romão (2013). Então, como disputar um projeto de universidade democrática, pública e gratuita, diante do governo ultraliberal eleito, sem que, a luta por justiça cognitiva na universidade aprofunde as desigualdades educacionais e sociais?

 

Antes, importa destacar o que consideramos universidade pública – estatal, gratuita e de qualidade aquela que se concretiza pelas dimensões do ensino, da pesquisa e da extensão como parte e totalidade que garantem a produção do conhecimento científico universitário que se realiza na graduação e na pós-graduação para um desenvolvimento social e humanamente justo. Como ressalta Boaventura (2013) ao dizer que “só há universidade quando há formação graduada e pós-graduada, pesquisa e extensão. Sem qualquer destes, há ensino superior, não há universidade”. Na produção científica para o capital, a essência da dimensão universidade, passa assumir caráter de instituição de ensino superior.  

 

Esse cenário tem interpelado como setores organizados na universidade (docentes, discentes, técnicos) serão capazes de construir redes coletivas e articuladas para disputar o projeto de universidade. Em igual sentido, que desafios estão colocados para que a luta por justiça cognitiva na universidade esteja em sintonia com a luta por justiça social.

 

Como trabalhadores da educação, isso mesmo! Essa é a primeira questão que precisamos enfrentar, que significa nos reconhecer como trabalhadores. Aqui reside a justiça cognitiva, ou seja, movimentar nosso conhecimento na totalidade das relações sociais. Ou seja, como qualquer outro trabalhador, temos posto de trabalho (universidade), sala de aula, realizamos assembleia departamentais, temos que mostrar produtividade, somos avaliados quanto a satisfação do cliente (avaliação dos alunos e agência de fomento), a diferença é que não somos máquinas da produtividade em alta escala. Por esse trabalho, recebemos renda mensal, como todos os outros trabalhadores assalariados, mas essa ascensão financeira (salarial) não nos eleva automaticamente como parte integrante da elite brasileira. O nosso malabarismo no primeiro dia útil do mês, representa concretamente que não somos parte da elite.

 

Portanto, é nosso dever moral e ético, como comunidade acadêmica garantir que aqueles que estão fora da universidade tenham acesso ao ensino superior público em condições de permanência. É nosso dever contribuir para o desenvolvimento de projetos educacionais que reduza os índices de analfabetismo em nosso Estado e na região Nordeste. Isso exige uma universidade pulsante e viva de ideias de educação, cujo princípio de justiça cognitiva seja um instrumento de justiça social, é essa a função social da universidade.

 

É nosso dever como educadores, garantir a autonomia da universidade diante da crise política brasileira que compromete a perspectiva humanista da universidade. Para isso, devemos construir uma pauta positiva a partir da articulação de uma ampla frente de luta dentro da universidade que deve reunir setores da educação como ADUFPI, SINTUFPI, DCE e Coletivos Organizados e, externo, movimentos e organizações educacionais. Essa articulação não invisibiliza as especificidades e singularidades das lutas desses setores, ao contrário, coloca como desafio uma unidade em defesa do projeto de universidade pública.

 

Nossas ações devem ser potencializadas, precisamos construir uma cultura de mobilização com aulas públicas, assembleias comunitárias, atividades culturais, mesas temáticas, seminários, fórum de discussão da universidade, ampliando nossa atuação para outros centros e campus. Ao tempo, que devemos está em sintonia com as lutas nacionais das centrais sindicais, reafirmando a coletividade do processo de organização da luta em defesa da universidade, como parte necessária na afirmação da luta por justiça social.

 

 

 

Profa. Dra. Socorro Silva

(Diretora Acadêmica e Cultural da ADUFPI)

 

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