Coronelismo, clientelismo e a política de direita

Maio 10, 2010, 8:01 a.m.

Resumo: conhecido mecanismo de controle do eleitorado, o voto de clientela, via barganha em torno de vantagens materiais, é conseqüência inevitável do capitalismo e caracteriza-se hoje pelo clientelismo estatal, onde cabos eleitorais distribuem favores ligados a instituições governamentais.


A perpetuação de uma determinada ordem social requer um modo específico de aparelhamento institucional. Nesse sentido, podemos falar numa democracia capitalista, ou seja, um conjunto de procedimentos políticos - sistema do voto, competição partidária, representação parlamentar -, regido pelo princípio da soberania popular, o qual contribui para a manutenção do sistema capitalista. 
Os limites de abrangência (voto feminino, de analfabetos, racial etc.) da democracia capitalista diferem segundo os estágios do conflito de classes. Em geral, a classe dominante procura estreitar o raio de inclusão das classes subalternas no processo político, enquanto estas lutam para ampliar a sua participação. 


A competição partidária peculiar à democracia capitalista, limitada quanto ao seu conteúdo e à sua abrangência, sofre novas restrições no plano do seu funcionamento, pois, embora tal competição esteja orientada pelos princípios de universalidade, legalidade e liberdade, na prática, em decorrência de fatores estruturais e conjunturais, tendem a prevalecer vários mecanismos particularísticos de controle do eleitorado, como o coronelismo e o clientelismo.


O voto coronelício define-se pela manifestação de fidelidade pessoal do eleitor a um chefe político - o coronel.  Como tal, o voto não é redutível nem às formas de coerção física, nem ao mecanismo da troca mercantil. Ao contrário, esse tipo de legitimidade do ato eleitoral, como uma obrigação moral, se concretiza fundamentalmente na doação pura e simples do voto ao candidato do coronel. A condição sócio-econômica da prática coronelista é a existência, no campo, de uma estrutura pré-capitalista, em que as relações de produção se expressam como relações de dominação e dependência pessoal. A forma da relação política encontra-se aí implícita: “a dependência pessoal, cujo fundamento é a cessão da posse da terra, exprime-se ideologicamente como obrigação subjetiva de lealdade para com o senhor da terra, ou, num nível mais diretamente político, como fidelidade ao chefe político local”.

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