O fantasma do apagão

Abril 14, 2014, 11:26 a.m.

Dia: Abril 14, 2014, 11:24 a.m.

Marcos Antonio Tavares Lira é Professor do curso de Engenharia Elétrica da UFPI e Doutorando em Desenvolvimento e Meio Ambiente.

A energia elétrica é uma infraestrutura essencial para o crescimento econômico de qualquer nação, sem falar em seu aspecto social que se configura a partir do abastecimento de novos consumidores, o que não deixa de ser um exercício de cidadania. Você já imaginou ficar um dia inteiro sem energia (no Piauí não é muito difícil de imaginar)? Computadores, tablets e smartphones sem poderem ser recarregados; o caos no trânsito sem sinalização luminosa, postos de combustíveis inoperantes (a maioria não possui gerador), isso sem falar no impacto nos serviços básicos. Este cenário, pelo que vem se verificando no setor elétrico brasileiro, ganha cada dia mais elementos para se consolidar.

Parece que não aprendemos com os erros do passado. Em 2001 o país sofreu com apagões e racionamentos. Naquela época um dos fatores que justificou a crise, além do baixo volume dos reservatórios, foi a falta de planejamento do governo. Mas o que ocorre agora, visto que temos um planejamento energético nacional até 2030? Os fatores relacionados às variáveis meteorológicas, essenciais nesse planejamento, nem sempre se apresentam dentro do previsto, especialmente as que afetam os níveis dos reservatórios que dão suporte à geração de energia hidráulica (responsável por mais de 80% do abastecimento do país). A ocorrência de apagões rápidos já vem sendo verificada.

O risco de racionamento é um pouco menor dessa vez, mas a que custo? Além do custo econômico, parte do qual tem sido assumido pelo governo federal como forma de subsidiar as concessionárias para que estas não aumentem suas tarifas de energia elétrica, existe também um custo ambiental, pois toda vez que se recorre à entrada em operação de uma termoelétrica, os índices de emissão de CO2 na atmosfera aumenta significativamente. O Operador Nacional do Sistema (ONS) recorre às termoelétricas sempre que o abastecimento de energia via hidrelétricas fica comprometido. E como recorremos a elas este ano. Nos dez primeiros dias de fevereiro de 2014, a demanda atendida pelas termoelétricas bateu recorde chegando ao valor médio diário de 12.887 MW (Folha de S. Paulo). Esse valor é 50 vezes a capacidade instalada na hidrelétrica de Boa Esperança localizada no município de Guadalupe, sul do Piauí.

A geração de energia eólica e solar, embora tenham caráter complementar, podem ajudar a “desafogar” o sistema. Muito se tem investido na prospecção e construção de novos parques eólicos. No entanto, na contramão da expansão energética constatamos a falta de logística do governo para dar “vazão” à geração eólica. Existem no país vários parques prontos para injetar na rede a energia produzida, mas que não o fazem por falta de infraestrutura de linhas de transmissão para levar essa energia até os centros de consumo. São 36 parques nessa situação de um total de 167 instalados.

Em ano de Copa do Mundo no Brasil, caro leitor, não se surpreenda se durante aquela partida de futebol que você tanto esperou, o seu fornecimento de energia for interrompido. O país receberá milhares de turistas, aumentando significativamente o consumo de energia. Estamos preparados?

Autor: Marcos Antonio Tavares Lira

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